No Brasil

 

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Limousin - No Brasil

1850

Já nos tempos do Império, quando nosso pais era dirigido por Dom Pedro II, veio ao nosso país um engenheiro francês no ano de 1850, viajando a trabalho, especificamente na cidade de Ouro Preto (MG), com a função de supervisor de uma obra encomendada pelo então Imperador, ficando hospedado por um longo período em uma propriedade mineira, onde manteve uma grande amizade com o fazendeiro.
Em uma de suas vindas ao Brasil, trouxe na bagagem um presente que na sua opinião, iria melhorar em muito o rendimento de carne no rebanho de seu amigo, um touro da Raça Limousin.
Hoje constatamos que além de engenheiro da alta confiança imperial, este homem possuía um excepcional “feeling” para pecuária.

1900

A “Revista Agrícola do Rio Grande do Sul” ano VI de 31 de agosto de 1903, publicou um artigo sobre “vantagens do cruzamento”de autoria do Engenheiro Agrônomo Leonardo Brasil Collares, que cita a Raça Limousin como uma das opções no cruzamento, hoje chamado “industrial”.

1910

Em 1913, um relato do livro “A Fazenda Moderna, Guia do Criador de Gado Bovino no Brasil” de Eduardo Cotrim, diz – “... na França, os bezerros mamam exclusivamente nas vacas e depois de desmamados alimentam-se de forragens, comem de tudo sem escolha...”, “no concurso de Paris, o novilho Limousin 1º prêmio, pesava bruto 967 Kg e limpo 666 Kg, dando rendimento de 71%. Desde a criação deste concurso, somente uma vez os machos deixaram de ganhar o 1º prêmio, sendo nas fêmeas, todas as 8 vezes para o Limousin. E continua, “as grandes qualidades: resistência, força, regularidade, bem como rendimento e sabor da carne, colocaram o Limousin à frente das outras raças francesas”.

1920

José Almeida Collares diz em uma de suas reportagens que em 1920 estavam usando reprodutores Limousin para melhorarem os planteis em rodeios de touros nas vacadas comerciais.

1930

Em Santa Catarina, um trabalho de autoria de Indalécio Arruda na Fazenda de criação de Lajes, diz que em 1937 haviam vários reprodutores em experiência, entre eles 2 Limousin.
Também em 1937 a então “Associação do Registro Genealógico Sul Riograndense”, hoje “Associação Nacional de Criadores – Herd Book Collares”, confeccionou o livro de Registro Genealógico para animais puros de origem da Raça Limousin, com crivo do Ministério da Agricultura.
A primeira inscrição foi do touro “DHALIA” (HBB-0001), animal importado da França, que possuía no país de origem o nº 3530.

1940

A grande alavanca para os registros genealógicos da Raça Limousin data de 1942, quando foram registrados 94 animais pertencentes ao Governo Federal, através de sua Fazenda Experimental em Ponta Grossa, no Estado do Paraná. Deste montante, 21 animais importados da França e os demais nascidos entre 1932 a 1942.
A partir desta data, este rebanho ficou praticamente sem ser trabalhado, procriando naturalmente, sem qualquer tipo de manejo.

1970

Em 1978, começa à nova fase do Limousin no Brasil.
Um empresário francês – Sr. Barcy,  resolveu investir na pecuária brasileira, adquirindo uma propriedade no triângulo mineiro, fundou a Agropecuária Limousin, trazendo da França 56 animais puros. Seu intuito era promover o cruzamento com o Zebu para melhoria de rentabilidade, já que seu conhecimento na França mostrava-lhe isto.
O Sr. Barcy, como todo empresário dedicado ao ramo principal de atuação, delegou o gerenciamento de sua propriedade e seus animais à pessoas que não conheciam a Raça e talvez até desinteressados por pecuária; abandonaram o projeto e consequentemente os animais ficaram dependendo de sua própria rusticidade e adaptabilidade as condições tropicais. Por “sorte” esta Raça surpreendeu, e os animais além de sobreviverem, reproduziram-se.
Em 1979, o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, por seus representantes na agropecuária, impressionados com as características positivas da Raça, importou 100 animais da França. No cerne do projeto, a intenção de implantar estação de monta em todo o interior do Estado, propagando as características de melhoramento genético que a Raça oferecia.
Por várias mudanças políticas e dos governantes da época, a exemplo da Agropecuária Limousin, o projeto não prosperou, porém, também de igual forma, o Limousin, rústico por natureza, adaptou-se.

1980

Em Santa Catarina no ano de 1984 o Sr. Ivo Tadeu Bianchini também pecuarista pioneiro na Raça, já possuía alguns animais da Raça e exportará um exemplar para o Uruguai.
Por outro lado, empresários do Ramo Pecuário, iniciaram o interesse pelo Limousin.
A família Meneghel, que já utilizava a Raça Limousin, pela inseminação artificial no cruzamento industrial com as vacas nelore desde o início da década de 70, elegendo-na para melhoria do plantel, decidiram a partir dos ótimos resultados, investirem também na Raça pura e adquiriram alguns remanescentes do Rio Grande do Norte, bem como alguns animais de Ponta Grossa no Paraná. Na mesma data, a família Drummond de Ituiutaba-MG, que vinham observando o desempenho dos animais da Agropecuária Limousin, resolveram adquirir alguns animais desta propriedade bem como do Rio Grande do Norte.
A Fazenda Santo Izidoro, pertencente ao grupo francês Bongrain, gerenciada por Kleber Coher, adquiriu do Sr. Barcy da Agropecuária Limousin o restante do plantel, levando os animais para Angatuba  (SP).
Com a base do rebanho agora na mão de grandes empresários, com pensamento no futuro e na produtividade e lucro do rebanho, iniciou-se então a grande jornada da Raça Limousin.

1990 até hoje

Estes 3 Criadores iniciaram suas exposições em conjunto na cidade de Londrina, em um Pavilhão escondido do parque de Exposições Governador Ney Braga, onde outros criadores chegaram a dizer “onde é que eles querem chegar com isso”.
Em 1989, na 1ª Expo Nacional de Cruzamento Industrial, promovida pela ABCZ, Uberaba (MG), várias raças disputavam o título de rendimento de carcaça, mas como nos concursos de Paris, deu Limousin em 1º lugar, tanto para macho como para fêmea. Em 1990 e 1992, novamente o Limousin conquistou os títulos, agora de 1º, 2º e 3º prêmio em relação a rendimento de carcaça.
Ainda em 1989 no mês de abril, o Sr. Luiz Meneghel Neto convidou alguns criadores a formar a Associação Promocional da Raça Limousin, sendo ainda os registros feitos pela Herd Book Collares em Pelotas (RS).
Em 1991, com a evolução do número de criadores na “Promocional”, foi conquistada através do Ministério da Agricultura o Livro de Registro, passando então a ser chamada: Associação Brasileira dos Criadores de Limousin e hoje:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LIMOUSIN.